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Pneumologia

Asma grave no pronto-socorro · os sinais de risco de vida e a primeira hora que decide

Asma grave no pronto-socorro · os sinais de risco de vida e a primeira hora que decide

A crise de asma que mata costuma chegar com um chiado discreto. O paciente que sibila alto está movendo ar; o que preocupa é o que respira rápido, fala em palavras soltas e tem o tórax quase silencioso, porque o ar já não passa o suficiente para fazer barulho. Reconhecer esse paciente na porta, e tratar tudo o que existe na primeira hora, é o que separa a crise que resolve no pronto-socorro da que termina no ventilador.

Classificar na chegada

Gravidade da crise de asma no adulto
SinalLeve a moderadaGraveRisco de vida
FalaFrasesPalavrasNão consegue falar, confuso ou sonolento
PosiçãoDeitado ou sentadoSentado, inclinado para a frenteExausto, esforço fraco
Frequência respiratóriaAumentadaAcima de 30Qualquer, com esforço em queda
Frequência cardíaca100 a 120Acima de 120Bradicardia ou arritmia
Saturação em ar ambiente92% ou maisAbaixo de 92%Abaixo de 92%, cianose
Pico de fluxoAcima de 50% do previsto50% ou menos33% ou menos, ou não consegue soprar
AuscultaSibilosSibilos difusosTórax silencioso
PaCO₂BaixaBaixa ou normalNormal ou alta

Infográfico Aevora, elaborado a partir da GINA 2026 e das recomendações da SBPT de 2020. Um sinal da coluna de risco de vida basta para tratar o paciente como tal.

Dois sinais enganam quem não os conhece. O primeiro é o tórax silencioso: o sumiço dos sibilos numa crise que não melhorou significa obstrução grave, o oposto de alívio. O segundo é a PaCO₂ normal: o asmático em crise hiperventila e deveria estar com gás carbônico baixo. Um valor normal, de 35 a 45, diz que a musculatura começou a falhar, e o valor alto diz que a falência chegou.

A primeira hora

Tudo o que existe, ao mesmo tempo
  1. 1
    Oxigênio tituladoAlvo de saturação de 93 a 95%. Oxigênio em excesso, a 100%, piora a hipercapnia no obstrutivo grave.
  2. 2
    Beta-agonista de curta ação, repetidoSalbutamol inalatório a cada 20 minutos na primeira hora, por nebulização ou por spray com espaçador, que é tão eficaz quanto. Na crise grave, nebulização contínua.
  3. 3
    Ipratrópio junto, na crise graveAdicionado ao beta-agonista nas três primeiras doses, reduz internação na crise grave. Sem benefício na crise leve.
  4. 4
    Corticoide sistêmico na primeira horaPrednisolona 40 a 50 mg por via oral, tão eficaz quanto a venosa em quem engole. Hidrocortisona ou metilprednisolona venosas em quem não engole ou vomita. O efeito começa em 4 a 6 horas, por isso a dose não espera.
  5. 5
    Sulfato de magnésio na crise grave2 g venosos em 20 minutos, em quem não respondeu ao tratamento inicial ou chegou com sinal de risco de vida. Reduz internação e melhora a função pulmonar na crise grave.
  6. 6
    Reavaliar aos 60 minutosFala, frequência, saturação, pico de fluxo. Quem melhora continua; quem não melhora vai para a unidade de terapia intensiva, e o preparo para a via aérea começa antes que ela seja necessária.
Tórax silencioso · obstrução grave, nunca melhora Corticoide na primeira hora, oral se engole Antibiótico não trata crise de asma

O que ficou de fora tem motivo. A aminofilina venosa acrescenta toxicidade sem acrescentar broncodilatação ao beta-agonista em dose plena. O antibiótico não trata crise de asma, e a maioria das exacerbações é viral. A sedação para "acalmar" o paciente ansioso, fora da intubação, deprime o único esforço respiratório que ele tem.

Quando intubar, e como ventilar

O ventilador no paciente obstrutivo
1Indução com cetamina. Preserva a pressão e tem efeito broncodilatador. Rocurônio para a laringoscopia. A hipotensão após o tubo é esperada, pelo aprisionamento de ar e pela perda do esforço; volume e vasopressor prontos.
2Frequência baixa, 10 a 14 por minuto. O problema da asma é expirar, e o tempo expiratório longo é o que evita a hiperinsuflação. Relação inspiração para expiração de 1 para 4 ou mais.
3Volume corrente de 6 a 8 mL/kg de peso predito, e fluxo inspiratório alto para encurtar a inspiração.
4Hipercapnia permissiva. Aceitar PaCO₂ alta com pH acima de 7,20 é mais seguro que ventilar mais e aprisionar mais. Pressão de platô abaixo de 30.
5Hipotensão súbita ou pressão de pico que sobe: desconectar do ventilador e comprimir o tórax na expiração, para esvaziar o ar aprisionado. Depois, procurar pneumotórax.

Infográfico Aevora, elaborado a partir de Lazarus, New England Journal of Medicine, 2010, e da GINA 2026. A intubação na asma é decisão clínica: exaustão, rebaixamento, PaCO₂ que sobe apesar do tratamento pleno, parada iminente.

A ventilação não invasiva na asma grave tem evidência fraca e não é recomendada de rotina. Quem está exausto não tolera a máscara, e quem tolera provavelmente não precisava dela. O momento certo da intubação é antes da parada e depois de tudo o que existe ter sido tentado na primeira hora.

Antes da alta

A crise que resolve no pronto-socorro é uma consulta que faltou. A alta vem com corticoide oral por 5 a 7 dias, corticoide inalatório iniciado ou retomado, revisão da técnica do inalador, plano de ação escrito e retorno em uma semana. Sem isso, o paciente volta.

Simulador de Pronto-Socorro

Agora é a sua vez de atender

Mulher de 27 anos, asmática, ficou sem a bombinha de manutenção há um mês. Chega falando em palavras soltas, com saturação de 89%. Você vai classificar a crise, tratar tudo na primeira hora, reconhecer os sinais que enganam e decidir se ela vai para o ventilador.

Atender o caso →
Dr. Hélio Pires
Dr. Hélio Pires
Cardiologista

A ventilação do paciente obstrutivo, com o tempo expiratório longo e a hipercapnia permissiva, é aula do Curso de Ventilação Mecânica da Aevora.

Curso de Ventilação Mecânica →
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Acompanhe a Aevora para conteúdo diário de emergência, cardiologia e terapia intensiva.

Conteúdo de caráter educacional, dirigido a médicos e estudantes de medicina. As análises publicadas neste blog servem de apoio ao estudo e não substituem o julgamento clínico, a avaliação presencial do paciente nem as diretrizes oficiais das sociedades médicas.