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Cai na prova Tema cobrado com frequência, ancorado na diretriz vigente
Emergências cardiovasculares

Dor torácica no pronto-socorro · o escore HEART e o caminho da estratificação

Dor torácica no pronto-socorro · o escore HEART e o caminho da estratificação

Dor torácica é a queixa que mais consome tempo de decisão no pronto-socorro, e a pergunta nunca é apenas "é infarto". A pergunta real é: qual o risco de este paciente ter evento cardiovascular maior nas próximas semanas, e esse risco é baixo o bastante para ele ir para casa hoje?

Primeiro, o que vem antes de qualquer escore

Nenhum escore entra antes do ECG. Dor torácica com supra de ST é diagnóstico de oclusão coronariana e vai para reperfusão, não para estratificação. O escore HEART existe para o paciente sem supra de ST, estável, depois do ECG e da troponina.

As cinco letras

Como pontuar o HEART
Letra0 ponto1 ponto2 pontos
HistóriaPouco suspeitaModeradamente suspeitaAltamente suspeita
ECGNormalAlteração inespecífica de repolarizaçãoInfradesnível significativo de ST
Age (idade)Abaixo de 45 anos45 a 64 anos65 anos ou mais
RiscoNenhum fator1 ou 2 fatores3 ou mais fatores, ou doença aterosclerótica conhecida
TroponinaNormal1 a 3 vezes o limiteAcima de 3 vezes o limite

Tabela Aevora, elaborada a partir de Six et al., Netherlands Heart Journal 2008. Fatores de risco: hipertensão, dislipidemia, diabetes, obesidade, tabagismo, história familiar precoce.

O que a soma indica
Baixo risco
0-3
candidato a alta precoce
Risco intermediário
4-6
observação e investigação
Alto risco
7-10
estratégia invasiva

O que a evidência mostra

A validação prospectiva publicada no International Journal of Cardiology em 2013, com 2.440 pacientes em dez hospitais holandeses, encontrou taxa de evento cardiovascular maior em seis semanas abaixo de 2% na faixa de 0 a 3 pontos, contra cerca de 13% na faixa intermediária e mais de 50% na faixa alta. É essa separação nítida entre as três faixas que explica a adoção ampla do escore.

A diretriz de síndromes coronarianas agudas da Sociedade Europeia de Cardiologia, de 2023, sustenta a estratificação de risco combinada a protocolos de troponina ultrassensível com dosagem seriada, e é esse arranjo, escore mais cinética de troponina, que hoje define a alta segura.

Por que este tema é cobrado com tanta frequência

Dor torácica reúne três coisas que banca adora: um algoritmo com etapas bem definidas, um escore com pontuação memorizável e uma decisão de alta com consequência grave se errada. Vale entrar na prova sabendo pontuar o HEART item a item, saber que ele só se aplica depois do ECG sem supra, e lembrar que troponina isolada não substitui a cinética.

Na prática do plantão

Passo a passo à beira-leito
  1. 1
    ECG em até 10 minutosSupra de ST encerra a discussão e manda para reperfusão. Sem supra, siga.
  2. 2
    Troponina com protocolo seriadoUma dosagem isolada normal em dor recente não exclui nada. O que informa é a variação.
  3. 3
    Pontue as cinco letrasHistória, ECG, idade, fatores de risco e troponina. Some.
  4. 4
    Decida pela faixa0 a 3 alta precoce com orientação, 4 a 6 observação e investigação, 7 a 10 estratégia invasiva.
  5. 5
    Reavalie se a dor voltarEscore é foto, não filme. Dor recorrente pede ECG novo, sempre.
Supra de ST · fora do escore 0 a 3 + troponina seriada normal · alta Dor recorrente · novo ECG
Dr. Hélio Pires
Dr. Hélio Pires
Cardiologista

Reconhecer o ECG que muda a conduta na dor torácica é o núcleo do curso de ECG do Pronto-Socorro.

Curso de ECG do Pronto-Socorro
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Conteúdo de caráter educacional, dirigido a médicos e estudantes de medicina. As análises publicadas neste blog servem de apoio ao estudo e não substituem o julgamento clínico, a avaliação presencial do paciente nem as diretrizes oficiais das sociedades médicas.