Determinar o eixo é a parte do ECG que mais gera decoreba inútil. Existe um jeito de chegar à resposta olhando duas derivações, e ele funciona em praticamente todo traçado que aparece no plantão.
O que o eixo é, em uma frase
O eixo elétrico é a direção média para onde a despolarização dos ventrículos caminha no plano frontal. Uma derivação que "olha" nessa direção registra complexo predominantemente positivo. Uma derivação que olha no sentido contrário registra complexo negativo. Todo o método sai daí.
O método dos dois olhares
| D1 | aVF | Eixo | Faixa |
|---|---|---|---|
| Positivo | Positivo | Normal | 0° a +90° |
| Positivo | Negativo | Esquerda: D2 positivo ainda é normal (até −30°); D2 negativo é desvio real | 0° a −90° |
| Negativo | Positivo | Desvio para a direita | +90° a +180° |
| Negativo | Negativo | Desvio extremo | −90° a −180° |
Infográfico Aevora. Positivo significa área do QRS predominantemente acima da linha de base, e não apenas onda R alta.
Quando D1 é positivo e aVF é negativo, existe um refinamento útil: olhe D2. Com D2 ainda positivo, o eixo está entre 0° e −30°, o que é variação da normalidade. Com D2 negativo, o desvio para a esquerda é real.
O que cada desvio costuma significar
Vale a ressalva mais importante deste post: desvio de eixo isolado, sem contexto clínico e sem o resto do traçado, raramente fecha diagnóstico. O eixo é uma pista que orienta para onde olhar, e não um achado que decide sozinho.
O erro mais comum
Trocar "onda R alta" por "complexo positivo". O que conta é a área do QRS, ou seja, o saldo entre o que está acima e o que está abaixo da linha de base. Um QRS com R de 5 mm e S de 12 mm é negativo, mesmo tendo R visível. Boa parte do erro de eixo no plantão nasce nessa confusão.
Outro tropeço frequente é ler eixo em traçado com eletrodo trocado. Quando D1 aparece todo negativo com aVR positivo, desconfie da inversão braço direito e braço esquerdo antes de diagnosticar desvio extremo.
Na prática do plantão
- 1Confirme a montagemD1 negativo com aVR positivo é sinal de eletrodo trocado, não de doença.
- 2Olhe a área do QRS em D1Positiva ou negativa, considerando R menos S.
- 3Olhe a área do QRS em aVFCom as duas respostas você já tem o quadrante.
- 4Se D1 positivo e aVF negativo, cheque D2D2 positivo é variação normal. D2 negativo confirma desvio à esquerda.
- 5Leia o desvio junto do quadroDesvio novo à direita em paciente dispneico e taquicárdico pede pensar em sobrecarga aguda de ventrículo direito.
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