← Voltar ao blog
Fundamentos O básico bem explicado, para quem ainda está construindo a base
Procedimentos

Acesso venoso no plantão · qual escolher e por quê

Acesso venoso no plantão · qual escolher e por quê

Escolher acesso venoso parece decisão menor até o paciente que precisa de volume rápido chegar. Aí a escolha errada custa minutos que não voltam. A boa notícia é que a regra é simples e vem da física, não de preferência pessoal.

A física que decide

O fluxo por um tubo segue a lei de Poiseuille: é proporcional à quarta potência do raio e inversamente proporcional ao comprimento. Traduzindo para o plantão: cateter curto e grosso corre muito mais que cateter fino e longo. É por isso que um acesso periférico calibroso no antebraço infunde mais rápido que um cateter central de triplo lúmen, que é longo e tem lúmens estreitos.

Fluxo aproximado por calibre
Cateter periféricoFluxo aproximadoUso típico
14G (laranja)~240 mL/minTrauma, hemorragia, reposição maciça
16G (cinza)~180 mL/minReposição rápida
18G (verde)~90 mL/minUso geral, contraste, transfusão
20G (rosa)~60 mL/minMedicação e hidratação de rotina
22G (azul)~36 mL/minVeia frágil, idoso, criança

Tabela Aevora. Valores aproximados em condições ideais de gravidade. O que importa é a ordem de grandeza: o 14G corre cerca de 6 vezes mais que o 22G.

Quando cada via entra

A escolha por cenário
PPeriférico calibroso: primeira escolha em quase tudo. Dois acessos de grosso calibre são o padrão do choque hemorrágico.
IIntraósseo: quando o periférico falha em paciente grave. Rápido, alta taxa de sucesso, e aceita tudo que a veia aceita, inclusive droga vasoativa e hemoderivado.
CCentral: droga vasoativa prolongada, solução hiperosmolar, medida de pressão venosa, terapia de substituição renal e necessidade de via duradoura. Não é a via para infundir volume rápido.

A inversão mais comum no plantão é perder oito minutos tentando um central em paciente que precisava de volume em dois. Em parada e em choque com veia difícil, o intraósseo entra antes do central, porque se consegue em menos de um minuto com treino mínimo.

Detalhes que evitam problema

Na prática do plantão

Passo a passo da decisão
  1. 1
    Defina a urgência do volumePrecisa infundir rápido? Então o alvo é calibre, não profundidade.
  2. 2
    Tente periférico calibroso primeiroNo choque hemorrágico, dois acessos de 14G ou 16G.
  3. 3
    Marque um limite de tentativasDuas tentativas sem sucesso em paciente grave já indicam mudar de estratégia.
  4. 4
    Vá para o intraósseoEm parada ou choque com veia difícil, ele vem antes do central.
  5. 5
    Reserve o central para a indicação deleVasoativo prolongado, hiperosmolar, diálise, via duradoura. Providencie em paralelo, sem travar a ressuscitação.
Curto e grosso · corre mais Central não é via de volume rápido Veia difícil em grave · intraósseo
Dr. Hélio Pires
Dr. Hélio Pires
Cardiologista

Procedimentos de urgência, do acesso à via aérea, são treinados no curso de Urgências e Emergências.

Curso de Urgências e Emergências →
Veja também

Acompanhe a Aevora para conteúdo diário de emergência, cardiologia e terapia intensiva.

Conteúdo de caráter educacional, dirigido a médicos e estudantes de medicina. As análises publicadas neste blog servem de apoio ao estudo e não substituem o julgamento clínico, a avaliação presencial do paciente nem as diretrizes oficiais das sociedades médicas.