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Fundamentos O básico bem explicado, para quem ainda está construindo a base
Distúrbios hidroeletrolíticos

Hiponatremia sem fórmula mágica · o raciocínio que organiza a conduta

Hiponatremia sem fórmula mágica · o raciocínio que organiza a conduta

Hiponatremia é o distúrbio eletrolítico mais comum do hospital e o que mais gera insegurança, porque a maioria tenta resolvê-lo por fórmula. A fórmula é a última etapa e a menos confiável. O que organiza a conduta são três perguntas em sequência.

As três perguntas

O que decide a conduta, nesta ordem
1Tem sintoma grave? Convulsão, rebaixamento, vômito incoercível. Se sim, a conduta é hipertônico agora, antes de qualquer investigação.
2É aguda ou crônica? Menos de 48 horas é aguda e tolera correção mais rápida. Mais de 48 horas, ou início desconhecido, trata-se como crônica.
3Qual a volemia? Hipovolêmica, euvolêmica ou hipervolêmica. É isso que define o tratamento da causa.

Infográfico Aevora. A ordem importa: sintoma grave dispensa esperar a classificação completa.

A classificação por gravidade

Sódio sérico e o que ele indica
Leve
130-134
mEq/L · investigar a causa
Grave
< 125
mEq/L · risco neurológico real

O número isolado importa menos que a velocidade de instalação. Queda rápida para 128 pode ser mais sintomática que 118 crônico.

Por que o limite de correção é o ponto central

O cérebro se adapta à hiponatremia crônica expulsando solutos para não inchar. Corrigir o sódio rápido demais faz a água sair bruscamente das células e produz a síndrome de desmielinização osmótica, quadro neurológico grave e muitas vezes irreversível, que aparece dias depois da correção. É por isso que o limite de velocidade vale mais que a meta de sódio.

Limites de correção em 24 horas
SituaçãoAlvo em 24 hObservação
Regra geral6 a 8 mEq/LLimite prudente na maioria dos casos
Teto absoluto10 mEq/LUltrapassar aumenta risco de desmielinização
Alto risco
(desnutrido, etilista, hepatopata, hipopotassêmico)
4 a 6 mEq/LCorreção ainda mais lenta e monitorização de perto
Sintoma graveSubir 4 a 6 mEq/L rápidoSó o suficiente para cessar o sintoma, respeitando o teto do dia

Tabela Aevora. Sódio de controle a cada 2 a 4 horas durante correção ativa.

O erro mais frequente

Corrigir com salino isotônico a hiponatremia euvolêmica por secreção inapropriada de hormônio antidiurético. Nessa condição o rim concentra a urina acima do soro, retém a água do soro fisiológico e elimina o sódio, o que pode piorar a hiponatremia. O tratamento ali é restrição hídrica, e não volume.

O segundo erro é esquecer de excluir pseudo-hiponatremia. Hiperglicemia importante reduz o sódio medido por diluição: some cerca de 1,6 mEq/L ao sódio a cada 100 mg/dL de glicose acima de 100.

Na prática do plantão

Passo a passo à beira-leito
  1. 1
    Procure sintoma neurológico graveConvulsão ou rebaixamento pedem salino hipertônico imediato, em bolus, sem esperar investigação.
  2. 2
    Exclua a falsa hiponatremiaCheque a glicemia e corrija o sódio pela hiperglicemia antes de tratar.
  3. 3
    Defina o tempoSem sódio prévio documentado, trate como crônica. É a escolha segura.
  4. 4
    Examine a volemiaHipovolêmica pede cristaloide, euvolêmica costuma pedir restrição hídrica, hipervolêmica pede tratar a causa de base.
  5. 5
    Escreva o limite do dia na prescriçãoDeixe explícito o teto de 8 mEq/L em 24 horas e programe o sódio de controle.
Convulsão · hipertônico agora Teto de 8 mEq/L em 24 h Euvolêmica por SIADH · restrição, não soro
Dr. Hélio Pires
Dr. Hélio Pires
Cardiologista

Distúrbios hidroeletrolíticos do plantão são tratados caso a caso no curso de Urgências e Emergências.

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Conteúdo de caráter educacional, dirigido a médicos e estudantes de medicina. As análises publicadas neste blog servem de apoio ao estudo e não substituem o julgamento clínico, a avaliação presencial do paciente nem as diretrizes oficiais das sociedades médicas.