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Cai na prova Tema cobrado com frequência, ancorado na diretriz vigente
Eletrocardiograma

Taquicardia supraventricular · manobra vagal, adenosina e cardioversão

Taquicardia supraventricular · manobra vagal, adenosina e cardioversão

Frequência de 190, ritmo regular, QRS estreito, e uma paciente de 29 anos sentada na maca, assustada e conversando. Em algum plantão você vai receber essa paciente com alguém da equipe já perguntando se separa as pás ou a adenosina. A resposta depende de uma avaliação de um minuto, e a sequência certa reverte a grande maioria das crises sem choque e sem sedação. A diretriz americana de 2025 resume em uma linha o que está em jogo: com manobra vagal, droga ou as duas, a taxa de reversão chega a 98%.

Primeira pergunta: a taquicardia está derrubando o paciente?

A taquicardia supraventricular paroxística costuma ser bem tolerada. Quando a instabilidade aparece, a conduta muda na hora.

Taquicardia de QRS estreito · os cinco sinais que mandam para o choque
1Hipotensão, atribuída à própria taquicardia.
2Alteração aguda do nível de consciência, de confusão a rebaixamento.
3Sinais de choque: extremidades frias, enchimento capilar lento, oligúria, lactato alto.
4Dor torácica durante a taquicardia.
5Insuficiência cardíaca aguda, com congestão pulmonar.

Infográfico Aevora, elaborado a partir de Wigginton et al., Circulation, 2025, seção de taquicardia regular de QRS estreito. Um sinal basta para a cardioversão elétrica sincronizada imediata, com sedação se o tempo permitir. A diretriz europeia de 2019 coloca a cardioversão como primeira escolha no paciente com comprometimento hemodinâmico.

A diretriz americana de 2025 faz uma ressalva que cai em prova e no plantão: a instabilidade precisa ser causada pela taquicardia. O paciente séptico, hipovolêmico ou com febre alta tem taquicardia sinusal como resposta ao problema, e cardioverter esse ritmo só acrescenta um choque ao paciente. A taquicardia sinusal acelera e desacelera aos poucos e tem uma onda P normal antes de cada QRS. A supraventricular paroxística começa e termina de repente, com frequência fixa.

Segunda pergunta: que ritmo é este?

Com o paciente estável, o eletrocardiograma de 12 derivações vem antes de qualquer droga. Ele guarda o registro da crise para o eletrofisiologista e mostra três coisas que mudam a conduta.

Taquicardia regular de QRS estreito · o que olhar no traçado
RitmoPista no eletrocardiogramaComo responde à adenosina
Reentrada nodalOnda P escondida no QRS ou logo no fim dele, como um pseudo r' em V1 ou pseudo S em D2, D3 e aVFReverte, em geral de forma abrupta
Reentrada atrioventricular por via acessóriaOnda P depois do QRS, separada dele, no segmento STReverte, com cautela pelo risco de induzir fibrilação atrial
Flutter atrial com condução 2:1Frequência perto de 150, ondas F em dente de serra em D2, D3, aVF e V1, às vezes escondidasO bloqueio transitório revela as ondas F; o ritmo volta em seguida
Taquicardia atrialOnda P de forma diferente da sinusal, antes do QRSPode reverter ou só bloquear o nó por alguns segundos
Taquicardia sinusalP normal antes de cada QRS, início e fim graduaisDesacelera e volta; o tratamento é o da causa

Infográfico Aevora, elaborado a partir de Brugada et al., European Heart Journal, 2020, e de Wigginton et al., 2025. Grave a tira do monitor durante a manobra vagal e a adenosina: a resposta faz parte do diagnóstico.

O ponto que mais derruba: o flutter atrial com condução 2:1 se disfarça de taquicardia supraventricular. A frequência de 150 em um adulto com crise regular e persistente deve lembrar flutter até prova em contrário. A diretriz americana de 2025 lembra que a adenosina, ao bloquear o nó, confirma o flutter ou a fibrilação atrial, e aí o tratamento passa a ser o deles.

A manobra vagal certa

A Valsalva clássica, feita com o paciente sentado, reverte de 20 a 30% das crises, segundo a diretriz americana de 2025. No estudo REVERT, publicado no Lancet em 2015 com 433 adultos atendidos em emergências da Inglaterra, uma mudança de postura no fim da manobra mais que dobrou esse número. O paciente faz força de expiração contra 40 mmHg por 15 segundos, semissentado, e, ao terminar o esforço, é deitado e tem as pernas elevadas passivamente.

Três números da taquicardia supraventricular
Valsalva modificada, com as pernas elevadas, no estudo REVERT
43%
voltaram ao ritmo sinusal, contra 17% com a manobra clássica
Primeira dose de adenosina no adulto, em bólus rápido
6 mg
depois 12 mg, e 18 mg pode ser considerada
Ablação por cateter na reentrada nodal
97%
de sucesso, com recorrência de cerca de 1,3 a 4%

Infográfico Aevora, elaborado a partir de Appelboam et al., Lancet, 2015, e de Brugada et al., European Heart Journal, 2020. A diretriz europeia sugere soprar uma seringa de 10 mL com força suficiente para mover o êmbolo como forma prática de padronizar o esforço.

A massagem do seio carotídeo entra como alternativa, sempre de um lado só e por no máximo 5 segundos, segundo a diretriz europeia. A diretriz americana de 2025 lembra o risco de acidente vascular cerebral no paciente com aterosclerose carotídea, e a ausculta de sopro carotídeo vem antes.

Adenosina: dose, veia e o que o paciente vai sentir

A adenosina é a droga de primeira escolha na diretriz europeia, com sucesso acima de 90% esperado. Ela tem meia-vida de segundos, e o jeito de aplicar decide se funciona.

Adenosina na taquicardia regular de QRS estreito
ItemComo fazerPor quê
VeiaCalibrosa e próxima do coração, como a antecubitalNa veia da mão a droga se degrada antes de chegar ao nó
Dose6 mg; sem resposta, 12 mg; 18 mg pode ser considerada conforme a tolerânciaRepetir dentro de 1 minuto da dose anterior é seguro
TécnicaBólus rápido, seguido na hora de flush de soroInjeção lenta não alcança concentração suficiente no nó
MonitorTira de ritmo gravando durante a injeção, pás coladasA resposta confirma ou muda o diagnóstico
Aviso ao pacienteRubor e sensação de morte iminente por alguns segundosSintoma esperado, que passa sozinho e mostra que a dose chegou

Infográfico Aevora, elaborado a partir de Brugada et al., 2020, e de Wigginton et al., 2025. No paciente com acesso venoso central ou com transplante cardíaco o efeito é muito mais forte, e a diretriz americana de 2025 diz que 1 mg pode bastar.

Duas situações deixam a adenosina de fora. Na asma, a diretriz americana de 2025 a considera contraindicada pelo risco de broncoespasmo grave, e a europeia de 2019 admite o uso com cautela, apontando o verapamil como escolha mais apropriada. E na taquicardia com pré-excitação no traçado de base, ou na taquicardia irregular de QRS largo, ela e os outros bloqueadores do nó podem acelerar a condução pela via acessória e levar à fibrilação ventricular.

Quando a adenosina não resolve

O que cada resposta manda fazer
  1. 1
    Reverteu para ritmo sinusalEletrocardiograma de 12 derivações logo depois, à procura de onda delta e de intervalo PR curto.
  2. 2
    Bloqueou o nó por segundos e apareceram ondas F ou fibrilaçãoFlutter ou fibrilação atrial. A conduta passa a ser a de controle de frequência ou de ritmo, com avaliação da anticoagulação.
  3. 3
    Reverteu e voltou minutos depoisVerapamil ou diltiazem intravenoso, que agem por mais tempo, infundidos devagar.
  4. 4
    Nenhuma resposta com dose adequadaVerapamil, diltiazem ou betabloqueador intravenoso; com falha ou contraindicação, cardioversão sincronizada sob sedação.
  5. 5
    Paciente piorou a qualquer momentoCardioversão sincronizada imediata.
Pré-excitação no traçado · adenosina e verapamil fora Resposta à adenosina gravada · diagnóstico na mão Verapamil e diltiazem sempre devagar

O verapamil e o diltiazem intravenosos revertem de 64 a 98% das crises, segundo as duas diretrizes, com eficácia parecida com a da adenosina e com o custo da hipotensão. Ficam fora no paciente instável e na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, abaixo de 40% na diretriz europeia. O betabloqueador intravenoso é uma alternativa no paciente estável, considerada em geral segura pela diretriz americana de 2025. A cardioversão sincronizada também serve ao paciente estável quando as drogas falham ou estão contraindicadas.

Os limites

Toda esta sequência vale para a taquicardia regular e de QRS estreito. A taquicardia de QRS largo sem diagnóstico firmado segue a conduta da taquicardia ventricular, e a taquicardia irregular é fibrilação atrial até prova em contrário. A carga da cardioversão também muda conforme o ritmo: no flutter e na fibrilação atrial, a diretriz americana de 2025 prefere a primeira carga de 200 J ou mais, e o aparelho precisa estar no modo sincronizado em todas elas.

A reversão também resolve só a crise. A diretriz europeia coloca a ablação por cateter como tratamento de escolha para o paciente sintomático com reentrada nodal, e o paciente com crises que se repetem ou com pré-excitação no traçado sai do pronto-socorro com encaminhamento para a eletrofisiologia.

Na prática do plantão

Taquicardia regular de QRS estreito, em ordem
  1. 1
    Monitor, pás coladas, acesso calibroso no braço, oxigênio se saturação baixaA veia antecubital já serve à adenosina.
  2. 2
    Procure os cinco sinais de instabilidadeE pergunte se a taquicardia causa a instabilidade ou responde a outra doença. Instável pela arritmia: cardioversão sincronizada.
  3. 3
    Estável: eletrocardiograma de 12 derivaçõesQRS estreito, ritmo regular, onda P onde estiver, frequência perto de 150 lembrando flutter.
  4. 4
    Valsalva modificadaForça contra 40 mmHg por 15 segundos, semissentado, e logo depois deitado com as pernas elevadas.
  5. 5
    Adenosina 6 mg, 12 mg e 18 mg se precisoBólus rápido com flush, tira de ritmo gravando. Fora na asma pela diretriz americana e na pré-excitação.
  6. 6
    Sem resposta: verapamil, diltiazem ou betabloqueador; depois, cardioversãoBloqueador de cálcio fora na fração de ejeção reduzida e na hipotensão.
  7. 7
    Eletrocardiograma depois da reversão e encaminhamentoOnda delta muda tudo. Crise recorrente ou pré-excitação: eletrofisiologia e discussão de ablação.
Instável pela taquicardia · cardioversão sincronizada Estável · Valsalva modificada e depois adenosina Traçado de 12 derivações antes e depois

A taquicardia supraventricular estável se resolve, na maioria das vezes, com a manobra vagal bem feita e a adenosina aplicada do jeito certo, sem sedação e sem choque. Quem grava o traçado durante cada passo sai do plantão com o diagnóstico do ritmo, e o paciente sai com o encaminhamento que pode acabar com as crises.

Simulador de Pronto-Socorro

Agora é a sua vez de atender

Mulher de 29 anos, com o coração disparado há 40 minutos, frequência de 190 e QRS estreito. A pressão está normal e a enfermagem já diluiu a adenosina numa seringa de 20 mL para correr devagar. Você vai decidir se é caso de choque, fazer a manobra vagal e aplicar a adenosina.

Atender o caso →
Dr. Hélio Pires
Dr. Hélio Pires
Cardiologista

A taquicardia de QRS estreito, da manobra vagal à cardioversão sincronizada, é módulo do curso de Urgências e Emergências da Aevora.

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Conteúdo de caráter educacional, dirigido a médicos e estudantes de medicina. As análises publicadas neste blog servem de apoio ao estudo e não substituem o julgamento clínico, a avaliação presencial do paciente nem as diretrizes oficiais das sociedades médicas.